terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Acordei com vontade de ler

Não vejo televisão. Em nossa casa a televisão só se acende para as crianças. Nem para telejornais, para séries da moda ou para os jogos de futebol do marido. O tempo corre rápido e o que a televisão de hoje em dia nos oferece poucas mais-valias trazem às nossas vidas.  
 
Mas escrevo, lá de quando em vez. Escrevo por hobbie, para clarificar ideias, para definir estratégias do meu dia-a-dia e para dar expressão a diálogos dispersos da minha mente. Gosto de palavras escritas, de frases organizadas, de caligrafia e semântica, gosto de cartas, notas e de bilhetinhos mais do que gosto de flores. No meu 11º aniversário pedi uma máquina de escrever à minha mãe; Aos 18 estava indecisa entre desenhar ou contar histórias - seria arquitecta ou jornalista? Não tenho propriamente grande criatividade por isso nunca seria romancista. Também não considero que tenha grande dom, ou algum sequer, mas dá-me prazer, é desafiante, exige destreza mental e é um excelente exercício de memória. Assim como ler.
 
Ler é quase melhor ainda. Há livros que já esqueci, outros que deixo a meio, livros que ainda desejo ler e há aqueles de capa aliciante mas que pelo título perco a vontade. Não leio emprestados porque gosto de os ter meus, para a releitura, se assim me apetecer. Porém, são raros os casos reincidentes. Não tenho, por isso, um livro favorito, o "livro da minha vida", digo sempre que será o próximo, mas tenho aqueles que não esqueci, que de uma forma ou de outra me deixaram referências e mudaram alguma coisa em mim. E, apesar de não ser dada a paixões, estes são livros que me fazem mergulhar a pique dentro das suas páginas, palavras que me apanham de surpresa, emoções raras e desejadas. É um encantamento que me faz querer seguir devagar, demorar-me no seu enredo, ao mesmo tempo que me puxa uma enorme vontade de chegar ao fim. E acordei com desejos de um épico, uma história consistente e memorável, uma escrita de excelência, um enredo sublime, com forte componente histórica, muita sabedoria, inteligência e drama. Uma narrativa empolgante que me consuma e me traga de novo o bom sabor de um livro. Algo que me ocupe as horas vazias de sono. Não tem de ser um Victor Hugo, Humberto Eco,  Hemingway, Kafka, Tolstoi ou Dostoievski. Sei que deve haver por aí um talento que ainda não descobri.
 
Vou recomeçar por aqui, que pela sinopse, e pelas críticas, é exactamente o que procuro. Depois sigo pelo cardápio de sugestões que recebi no grupo da leitura. É bom estar de volta aos livros, porque a vida não pode ser só filhos.
 
 

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Parar para ser feliz

Os dias por aqui estão parados. Param sempre que o meu volume de trabalho cresce. Param sempre que os meus filhos adoecem. Param sempre que o Papá parte para outros destinos. E este Verão tem sido cheio em tudo isto. Não há tempo para tudo e há muito que já me convenci que não há heroínas, não há super-mães, super-mulheres, nem super-profissionais. Assim, as distrações, os hobbies e os pequenos prazeres têm que, obrigatoriamente, ficar para depois. É o que tem acontecido por aqui.
 
Felizmente isto é só o que se passa comigo, com o meu tempo, e não está generalizado ao resto da família. A quatro a história é outra e, com boa vontade, consegue-se sempre tempo para uns bons momentos juntos, mesmo que isso implique atrasar outras responsabilidades. E disto faço um conselho: Independentemente do nível de stress a que esteja sujeita, independentemente da pressa dos meus clientes, a minha família é, e será sempre, a prioridade máxima.
 
E por esta ordem, a minha resposta ao convite da Joana Gama só poderia ser uma: "- 'Bora lá!".
 
Tenho uma família gigante do lado da minha mãe. Há muitos tios e primos e confesso que entre todos já houve dias melhores. E desses dias lembro-me das nossas "férias ciganas" no Vimeiro, em praias de Porto Novo. Eramos mais de quinze e enquanto uns ocupavam os seus dias a apanhar Sol, a passearem-se pelas termas, a fazer caça submarina, pesca desportiva, ou outra coisa qualquer, eu passava as minhas tardes nas cavalariças do hotel nas minhas primeiras aulas de equitação. Passeios de cavalo em grupo, na praia, ao pôr-do-Sol, é coisa que não sei onde se pode fazer em Portugal além de neste lugar. Foram momentos únicos e irrepetíveis... memórias que guardo para sempre.
 
A minha mãe algures naquela plateia
Eu montava uma égua cinza velhota e a minha irmã montava sempre um belíssimo garanhão negro de pelo brilhante, de nome Xarope. O Xarope era jovem e rebelde, por isso a minha égua liderava para acalmar os ânimos do jovem macho. Os meus primos seguiam-se a nós. Certo dia, alguém menos cuidadoso acionou o motor de um trator com uma "gazada" às portas do picadeiro. O xarope assustou-se, avançou sobre a minha égua e esta deu um piparote que me deitou ao chão. Fiquei sentada na areia com as mãos apoiadas atrás das costas e nisto ouço a minha mãe levantar-se das bancadas, de braços no ar, a bater palmas sobre a cabeça e a gritar "muito bem, muito bem!". Doía-me o cóccix, tremia que nem vara verde e não percebia o histerismo feliz da minha mãe, mas ela apressou-se a acrescentar: "caíste muito bem, filha!". Ergui-me e, motivada por ela, saltei novamente para o dorso da égua velhota.
eu há 20 anos atrás!
 
Passaram-se exatamente vinte anos desde então e voltar aquele lugar, agora com a minha própria família, foi qualquer coisa que nunca pensei naquele tempo. Mas a Joana propôs e nós aceitámos, afinal era fim-de-semana de aniversários - o do bebé grande e o meu! Lá, já não existe o Xarope mas existe ainda uma enorme cultura equestre que foi muito bom reviver! O convite da Joana surgiu a propósito da 35ª edição do Concurso de Saltos do Vimeiro - mal ela sabia o quão já eu fui feliz naquele lugar - e foram três dias do melhor que se pode ter. Assim, carregámos baterias antes do regresso à escola.


























A bebé pequenina, que herdou o gosto pelos animais da mãe, estava em extâse e o bebé grande que herdou a falta de empatia por eles do pai, estava igualmente regalado com todas as actividades paralelas ao evento - piscina (interior e exterior) e campo de ténis, o clube aventura com vários metros quadrados de insufláveis, escorrega de água gigante, percurso dos dinossauros, slide, paintball, mini-golf e muitos jogos didáticos, entre tantas outras coisas. Tudo isto aconteceu no Hotel Ô Golf Mar Vimeiro, sobre a falésia, com uma vista incrível para as praias de Porto Novo e Stª Rita. Todo o catering, do Hotel e do próprio evento, apetrechado de iguarias locais, estava tão para lá de bom! Se voltamos para o ano? Sem dúvida alguma...! No próximo e todos os que vierem depois desse. À semelhança das memórias que guardo, faço o maior gosto em partilhá-las com os meus filhos, para que um dia, também eles, voltem com os seus a este lugar mágico.

A vista de 270º do nosso quarto de hotel no 9º piso
 



 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Nunca pensei conseguir!

Acabaram-se as férias! Por enquanto. E desta vez não foram pseudo-férias, foram FÉRIAS mesmo!
 
Este ano optámos por tirar uma semana de férias por mês. Sabe a pouco, são sete dias que passam num ápice, mas fica a sensação de ainda não ter acabado, que ainda há mais uma ficha para mais uma voltinha. Junho e Julho já se foram, falta-nos agora o Agosto.
 
Li artigos de mães desesperadas em períodos de férias. Li artigos de mães de férias, só que não. Li sobre tarefas acumuladas, falta de descanso, birras, pais que não ajudam, crianças que não colaboram, praia de casa às costas e tudo e mais um par de botas. Não desfazendo, e não querendo puxar dos meus galões, eu tive uma semana santa! E eramos cinco! - os habituais (eu, marido e filhos - pequenos!) e mais uma sobrinha de onze anos que nos acompanhou estas férias. Na semana de Junho ainda peguei no computador algumas tardes, enquanto eles dormiam a sesta, e  nalguns serões também, mas desta vez não, de todo, e foi a melhor coisa que fiz. Todos os emails a que respondi usei a frase "Encontro-me de férias mas tratarei desse assunto já na próxima semana" ao invés de resolver na hora. Os clientes merecem, claro que merecem, mas a minha família também. Assim, as tardes, na hora da sesta, serviam para adiantar o jantar e estender-me no sofá e os serões serviam para adiantar o almoço do dia seguinte e estender-me no sofá. As refeições estavam sempre adiantadas. Podem achar que não, mas eu confirmo que sim, que este sistema me permitia sofrer zero stress na hora de sair da praia ou de chegar a casa com eles cansados e cheios de fome. Ficávamos na praia até à última, e quando digo última era mesmo última - já depois do Sol se pôr - chegávamos a casa e o papá dava-lhes duche rápido enquanto eu punha a mesa e a comida nos pratos, jantávamos e eles deitavam-se tranquilamente á hora habitual. De manhã eu acordava uns quarenta minutos mais cedo que todos, comprava o pão quentinho na padaria e preparava o lanche matinal. Eles acordavam depois, frescos e bem dispostos. O papá organizava as toalhas e brinquedos e eu passava-lhes protector solar no corpo antes de sairmos de casa. O pequeno-almoço tomavam-no na praia para não perdermos os saudáveis raios da manhã.
 
Para a praia cada um levava o seu brinquedo na mão (baldinho e pá, ou bóia, ou bola, ou o que bem entendesse e conseguisse carregar sozinho), era menos um saco para carregar. Eu levava somente o chapéu de Sol e o sling de argolas onde enfiava a bebé pequenina sempre que ela pedia colo na caminhada de e para a praia. Um descanso e ela adorava vir embaladinha na minha anca, e eu ainda mantinha as mãos livres para dar a mão ao mais crescido. O papá carregava aquele carrinho de rodas maravilhoso com todas as toalhas e lanche lá dentro, protetores solares, e nada mais.
Outra grande maravilha destas férias, talvez mesmo a melhor, foi termos finalmente dois bebés livres de fraldas. Ele já não usa há mais de um ano e ela, leiam bem isto, com dois anos e dois meses não usa desde que fez os dois anos! Foi assim, de um dia para o outro, que aconteceu o desfralde dela. Não usa durante o dia, não usa na sesta e não usa à noite. Nas férias do mês passado ainda usávamos na sesta e à noite por precaução, mas este mês nem foi preciso. Maravilhoso, têm de concordar! Na praia fazia o seu xixizinho dentro do baldinho que depois era lavado no mar e, como lady que é, só fazia o cócózinho em casa na sanita, que ela também nunca quis bacio ou redutor. Mas o que ela gostava mesmo era de pedir-nos a xixizóca na areia: "- Posso fazer na areia?"... claro que sim filha, faz onde quiseres! A linguagem dela está perfeitamente desenvolvida e  constrói frases com a maior facilidade e não há nada que não fale. Até manda o irmão sair do sofá, para ela própria se sentar refastelada, com um engraçado "Tira daí o rabo, Dudu!". Cresceu rápido a minha menina, quase não encontro diferenças dela para ele, há excepção do tamanho.
Foram, de facto, umas férias estupendas com zero percalços, zero birras, com sonos a tempo e horas, noites de sono contínuo sem um nem outro acordarem milhentas vezes, jantares fora tranquilamente sem saírem da mesa por opção deles, praia com fartura, mergulhos o tempo todo até ficarem roxinhos e cheios de frio (ele, que dela ainda só lá vão os pézinhos), todos faziam a sua sesta, até a prima de onze anos e até nós pais... enfim, resumindo, eu tive uma semana de férias na verdadeira aceção da palavra e eles foram imensamente felizes.

 





 




sexta-feira, 8 de julho de 2016

A mãe não aguenta!

É coisa que nunca esperei que os meus filhos vissem, a mãe de ressaca!

Sexta-feira à noite fui sair com umas amigas. Era aquela saída que já estava planeada há várias semanas e que não podia falhar. O papá estava recrutado para ficar com os bebés e, em caso de emergência, o sofá da minha amiga estaria à minha disposição.
 
Qual miúda de 15 anos que já nem dorme a pensar na ramboia, assim estava eu! Se disser há quantos anos não saía com amigas, sou capaz de morrer de vergonha. Mas comigo sempre foi assim, sempre que deposito elevadas expectativas numa coisa, essa coisa, invariavelmente, começa a correr mal. É a minha Lei de Murphy!

Tudo começa quando o papá me diz que, sexta-feira, só irá aterrar (sim, anda novamente emigrado) às 23h e que só chegará a casa à meia-noite.  Ora, ora... cancelar a minha noite não fazia parte dos meus planos. Então, chamei a babysitter que ficaria com as crianças até o Pai chegar. Problema resolvido.

Ao chegar a casa da minha amiga, ela diz-me que o sofá já está ocupado, que o irmão e um amigo também vão sair e lhe pediram para lá ficar. Ok, nada de grave. Também se resolve. Vamos então jantar e, contrariamente ao combinado, que seria usarmos taxi ou uber a noite inteira para minimizarmos preocupações, uma das amigas decide levar carro. Porreiro, mais um stressezinho que não vinha a calhar, mas siga.
Chegámos ao Príncipe Real e encontramos um lugarzinho de mestre "- Pára já aqui!" digo eu. Nããã.... dizem-me elas, "- Ainda estamos longe e viemos de saltos!". Mas não estávamos assim tão longe e não havia assim mais nenhum buraquinho onde enfiar o carro. De repente, decidem parar o carro para lá da placa de táxis, afinal havia mais 3 carros mal estacionados. Precisamente por isso! Mais três ou quatro frases para convencê-las a darmos mais uma volta mas percebo que, se calhar, estou armada em mãezinha, afinal eu sou a única casada e mãe de filhos e não vale a pena dar uma de responsável. Calei-me.
Jantámos muitíssimo bem e bebemos ainda melhor. Depois veio a surpresa, nada surpreendente, de pagarmos quarenta euros cada uma pelo desbloqueio do carro. Fiquei com vontade de barafustar, de reclamar, de dizer que não pagava, que não fui a favor, mas pensei nos filhos sem mim em casa e nos trinta euros que ía pagar à babysitter e por isso, só por isso, eu devia a mim mesma uma noite bem passada. Pus o meu melhor sorriso e balbuciei uns quantos "eu avisei!". Acho que o meu estatuto de "única responsável" me auferia o direito de falar... mas parece que só eu pensei assim! "Isto não está a correr bem!" - Disse para comigo e quase que abria a boca e que a noite terminava por ali. Mas, entre amigas de uma vida tudo é permitido e tudo fica para trás das costas quando a oportunidade de estarmos juntas é uma num milhão.
Bola para bingo e fomos dar um pezinho de dança. Boa...! Sexta-feira à noite, mês de Julho, e a discoteca mais badalada da cidade está fechada! São duas da manhã no Lx Factory e nada acontece... parece o Parque Mayer! Ainda não estávamos vencidas e seguimos para outra paragem, aquela que é tão antiga quanto eu me lembro e que nunca nos deixa ficar mal... Muitas memórias boas daquele lugar, agora um bocadinho mais decadente, mas cujo som nos transporta aos verdes anos da adolescência. Muitos beijos foram trocados naquela viela, nas escadarias junto à entrada.
Finalmente curti a minha ladies night. Dançamos tanto que só o acender das luzes nos pôs na rua. Já não eram horas de precisar de um sofá. As minhas crianças há muito que deviam estar acordadas e eu com umas saudades delas, imensas. Passei a ponte de óculos de Sol, que ele já espelhava forte, e eles encheram-me de beijos mal pisei a entrada. Não dormi, a minha cabeça estalava e a música ainda ecoava alto aos meus ouvidos... doía-me cada musculozinho do meu corpo... estendi-me no sofá em modo vegetal e os dois saltavam na minha barriga... "- Meninos.. a mãe não aguenta!". Não consegui brincar com eles, não consegui dar-lhes as refeições, vesti-los ou dar-lhes banho... meu querido marido! Hoje, passada uma semana, ainda sinto os resquícios de uma ressaca monstruosa.
Estou tão acabada! Não tenho idade para ouvir e calar, não tenho idade para beber demais, não tenho idade para dançar até de manhã e não tenho idade para ressacar na presença dos meus filhos. Lição aprendida.













À esquerda - A fotografar as amigas a retocarem a maquilhagem, antes de sairmos, com um ar muito fresco e fofo.

À direita - A desgraça total!

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Crianças no Porto

Depois de partilhar convosco a nossa aventura em família por Sintra, no texto Crianças em Sintra, hoje gostava de partilhar o nosso fim-de-semana em família no Porto. Tivemos a feliz coincidência de coincidir - e passo o pleonasmo - os festejos de S. João e jogo da seleção para que os nossos dias por lá fossem perfeitos.
 
ZOO DE SANTO INÁCIO, Gaia:
Vale muito a pena e as crianças adoram. Além de uma enorme variedade de animais e bichesas, que não fica nada atrás do Zoo de Lisboa, tem um lago gigante onde podemos ficar sobre ele a comer um gelado à fresca do arvoredo, enquanto identificamos, de forma lúdica, algumas espécies aquáticas com as crianças . Tem ainda um parque de merendas relvado, que não fotografei porque estive demasiado ocupada a alimentar as crianças, com mesas e bancos de madeira em volta de um jeitosinho parque infantil com escorregas e baloiços, ou seja, os pais podem levar uma mochilinha com sandes (também haviam picnics à séria com direito a toalha plastificada com desenho de frutas, geleira azul tamanho XL e garrafa de plástico do luso com sangria) e ficar por ali a ver os filhos brincarem. A parte má é que ninguém faz uso dos cacifos postos à disposição pela organização do parque e, com muita falta de consciência cívica que infelizmente ainda não está erradicada do nosso país, a falta não a consciência, às dez da manhã já todas as mesas de picnic estavam ocupadas com o farnel a marcar lugar enquanto as famílias se passeavam alegremente pelo recinto na observação dos animais. Quem não fez a mesma estupidez e resolveu chegar cedinho para o almoço (nós!) para conseguir uma mesa pertinho dos escorregas, deparou-se com o cenário decadente do recinto de merendas vazio de pessoas e cheio de montinhos de trouxas sobre todas as mesas de almoço. Foi tão cómico como irritante, observar a cara de "asno que quer bater em alguém" do patriarca da família que chegou à sua mesa marcada e deu de caras com as suas coisinhas arrumadinhas a um cantinho da mesa e nós a saborearmos as nossas sandwishes de mochila em perfeita tranquilidade familiar. Não me mexi um centímetro, nem às minhas crianças, e a família numerosa de 8 pessoas teve que almoçar ao colo uns dos outros. sem piedade.
 







 
 
CASA DA ALDEIA, Valadares:
O Sr. Bernardino, homem para uma idade com muitas décadas, e o seu filho também de mesmo nome, têm esta enorme paixão por comboios. É tão curioso quanto surreal o tempo e dinheiro que ambos já gastaram na sua enormíssima coleção. Não, minto! Não é uma coleção, é um museu! E toda a família está envolvida. Até uma mini linha férrea, em volta da propriedade, acomoda uma locomotiva mecânica a gasolina com carruagens, onde pais e crianças podem sentar-se e fazer um tour pela horta, lagos e casebres de animais (com cabras, ovelhas, patos e cisnes, galinhas, coelhos e não me lembro de mais), passando por pontes e túneis que alimentam o imaginário dos mais pequenos ao som de um real "pouca-terra tchú tchú". Também tinha por lá um outro comboio em miniatura, também para tours familiares, com locomotiva a vapor alimentada a verdadeira hulha que puxava carruagens amarelas com bancos de madeira, mas essa, diz o Sr. Bernardino, leva mais tempo a pegar e depois de estar a funcionar tem que aquecer bastante e não pode fazer apenas uma volta, serve, por isso, para grupos maiores. Naquele dia eramos apenas nós. O Sr. Bernardino tem tanto prazer no que faz que até se veste a rigor, de boina de maquinista e bandeirola, entrega um bilhete a cada um, réplica dos bilhetes de outros tempos, e fura-o antes de iniciarmos a viagem. Uma delícia. E querem saber? É grátis. Totalmente grátis. Mas como tudo isto nos sensibilizou, não viemos embora sem uma pequena gratificação simbólica para ajudar à manutenção desta riqueza e da paixão de um velho aficionado (termo carinhoso) que abre as portas de sua casa apenas pelo prazer de fazer história. Que pessoas extraordinárias! Em cima leram o mau exemplo de cidadania, aqui leram o bom. O Norte é feito destes contrastes de gente genuína.
 
 




 
 
ROTUNDA DA BOAVISTA, Porto:
Por ocasião do S. João, a rotundo mais emblemática da cidade do Porto com vista privilegiada para a avenida de mesmo nome e Casa da Música, tinha por estes dias as delícias das crianças: carroceis.
 




 
 
PARQUE DA CIDADE, Porto (e Matosinhos Sul):
O Paraíso na Terra! Já conhecem? Se não, deviam. Que sítio maravilhoso! Seja qual for a estação do ano, não há visita nossa ao Porto que não nos leve numa manhã ou fim de tarde a um passeio no parque da cidade, terminando com um relaxe total à sombra fresca de uma faia, com ou sem manta, pouco importa, enquanto eles esbanjam o seu lanche aos patos. Que sensação boa! É optimo para descomprimir corpo e mente e eles adoram correr desgovernados pelas colinas até caírem e rebolarem pela relva. Recomendo cem por cento.
 




 
 
LANÇAR BALÕES DE SÃO JOÃO, CONVIVER, COMER E VER FOTEBOL, em família:
Há coisa melhor? Para mim não há nada melhor que passar bons momentos de lazer em família. As crianças são loucas pelos familiares do Porto e tenho a certeza que é recíproco. Há imensos tios e imensos primos, há novidades, há amendoins e croquetes, há piscina, há balões de papel e fogo, e há foguetes e fogo de artifício. Um grande "uau" na expressão dos meus filhos que, hoje ao chegarem à escola, até esqueceram o entusiasmo do primeiro dia de praia e só falavam da festa de S. João às educadoras. Não tem preço.
 
 
 




 
CASCATA DE SÃO JOÃO, casa dos avós paternos:
Termino com uma coisa que, tal como eu, deve ser totalmente desconhecida para a maioria que me lê, principalmente os do Sul: A Cascata de S. João da avó V. é uma reprodução em miniatura das romarias de S. João que todos os anos cresce um pouco mais e mais. Temo que qualquer dia a avó não poderá mais receber-nos nesta época por falta de espaço no salão! Como sempre... é um mimo toda esta trabalheira que os avós têm e que fazem as delícias de crianças e graúdos. Acreditam que vêm pessoas de todos os cantos da cidade para ver a cascata da Avó V.? É verdade!
 
 
 
É fácil e não é preciso muito para fazer as crianças felizes. Família, afetos, passeios e eles não pedem mais nada. Partilho a receita.